Ser solidário é estar aberto para as necessidades, desejos, alegrias, expectativas , dores, sorrisos, medos, forças e fraquezas dos outros (de todos), agindo com respeito pela sua individualidade. Não é ser bombeiro... Soldado da paz, sempre de mangueira em riste pronto para apagar qualquer fogo. É que há fogos que são para arder porque a vida assim concebe e faz todo o sentido. Não passa pela cabeça de ninguém, por exemplo, capturar todas as leoas da Savana a fim de evitar que elas predem os animais desprovidos de presas. Existe uma lei natural que comanda o instinto leonino. Há uma lei social de força idêntica que decide dos fogos que não são para apagar. De resto, os bombeiros a sério só papagam os fogos que têm que apagar. Neste sentido eles são solidários. No entanto, olhando as coisas de outro ponto de vista, até podem não o ser... Mas o que importa, na verdade é o sentimento que tem de estar (ou deveria) dentro de cada um de nós. A nossa solidariedade deve estar pronta a servir a todos e deve ser capaz de ser humilde para aguardar um sinal. Não é bonito andarmos a ajudar quem não deseja a nossa ajuda. Na verdade, parece mal. Até parece que queremos qualquer coisa. Talvez uma medalha?
(...)
Um ser honesto, leal e solidário é, para mim, um ser perfeito. Nenhum outro defeito me incomoda. Gosto de pessoas cheias de defeitos que são honestas leais e solidárias. São perfeitas. Não mentem, não enganam, não roubam, não nos encharcam a cara com uma mangueirada enquanto estamos a dormir ou apenas distraídos. Em princípio uma pessoa assim tem respeito por nós. E, o melhor, tem respeito por todos... Uma pessoa destas ajuda-nos a viver porque simplesmente nos ajuda.

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